segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Ensaio Para Berimbau de Aço






Duas perspectivas podem ser analisadas a partir desse estudo. Um é a recriação de um tema de violão numa perspectiva ga guitarra. A outra é a utilização de elementos alheios ao estilo original(no caso um minimalismo mais acentuado)dentro do desenvolvimento do clima do estado. A gravação não é grandes coisas, mas a performance como um todo merece alguns momentos de atenção...

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

O Estudo da Música na Sociedade Moderna

Dentro do contexto atual da sociedade, vivemos um certo paradoxo em relação as nossas atividades cotidianas. Embora o nosso status tecnológico tenha inegavelmente progredido nos últimos anos, em especial no que tange a comunicação, nossa participação dentro dos processos criativos, artísticos e estéticos, tem declinado em relação as outras gerações. Não sei exatamente se a arte foi substituída pela nossa participação no universo wiki das redes sociais, youtube e congêneres, onde todos somos protagonistas de uma enxurrada de materiais que acabaram substituindo o consumo da produção musical feita pelos profissionais. Isso é difícil de definir.
De fato, como os próprios profissionais começaram a utilizar-se das plataformas amadoras para veicular seus projetos individuais, que muitas vezes não encontram respaldo na titubeante indústria musical, o fato é que a confusão estabeleceu-se. Profissionais e amadores juntos produzindo conteúdo, que muitas vezes carece de elementos criativos, sendo as mais das vezes reaproveitamento de outras idéias ou demonstrações de habilidades que de fato não são aplicáveis na construção daquilo que antigamente chamávamos de estilo próprio, que acabava gerando uma obra de arte...
Dentro da música, paradoxalmente ao fato de que muita gente posta vídeos ou gravações, vai a estúdios e faz shows em bares e espaços, há muito pouco estudo e preparo em grande parte de tudo isso. Quando eu falo de estudo, não estou querendo dizer que a pessoa tem que soar como A ou B para ser considerado de um nível profissional. Há muita confusão quanto a isso !
Entendam, qualquer um pode tocar o que quiser, não existem estilos melhores ou piores. Todos nós temos as nossas preferências. O que acontece é que é comum vermos distorções em relação a isso. Se uma pessoa gosta de samba por exemplo, isso não quer dizer que ela tenha que cantar berrado, que a percussão fique super alta ou até atravessada. Se outro gosta de jazz, ele não tem que ficar imitando o George Benson e achar que tudo o mais é uma porcaria. Se você quer tocar Bach, tem que entender um pouco do Barroco para saber como vai fazer a interpretação, e por aí vai. Nesse momento é que surgem as discrepâncias que a falta de um estudo dirigido cria. Muitas pessoas praticam muito buscando mimetizar os grandes músicos virtuoses, os cantores de sucesso, os grandes solistas. Mas isso não quer dizer que de fato você esteja estudando...O fato de você ser profissional ou amador, embora seja muitas vezes uma condicionante em relação ao que você faz e ao nível de dedicação que você pode ter, não define o que você é e nem como a música te afeta dentro da sua vida, Sempre digo que em música só existem duas categorias. os que se divertem com ela e os que não se divertem. conheci virtuoses consumados que pareciam sempre entediados com o que faziam. Por outro lado conheci pessoas que sabiam pouco mais de quatro acorde e meia dúzia de canções, e que se divertiam muito com a música
E afinal, então estudar é o que!? E pra que?!Devemos primeiramente entender que tocar simplesmente, mesmo que várias horas por dia, não significa estudar... Basicamente, estudar significa reconhecer uma dificuldade sua em relação a compreensão de algo e superar isso. Falando em termos de música, se você tem dificuldade em compreender o conceito de "outside"por exemplo. No momento em que você para para ler a respeito, tocar alguns exemplos e tentar posteriormente inserir isso dentro junto aos elementos melódicos que você já domina, então você de fato estudou...Essa é um atividade que pode consumir cerca de um quarto do tempo que você dispõe para tocar. então se você tem digamos uma hora para tocar, você pode tentar passar quinze minutos estudando de fato. o resto do tempo normalmente utilizamos para praticar aquilo que já sabemos. Porque? porque é bom! É simples, mas carrega algumas pequenas armadilhas. Tendemos por isso a nos concentrar naquilo que fazemos melhor e desconsiderar nossas dificuldades, fazendo do estudo uma espécie de show para nós mesmos. com isso, acabamos depois de um tempo insatisfeitos com a nossa performance, sem muitas vezes saber porque. É exatamente pela falta de novidade que o estudo traz, renovando aquilo que já fazemos. Pode ser uma coisa simples, tipo tentar um dedilhado diferente em uma canção que já tocamos, substituir um acorde por uma inversão, ou realizar uma interpretação diferente em uma peça clássica que já tocamos a muito tempo. enfim, quando isso acontece, dá-se o estudo.
Devemos também pensar na questão da inserção da música dentro do nosso cotidiano. Temos que buscar uma atividade musical que seja condizente com a nossa realidade, para que essa atividade seja dentro do nosso dia a dia uma coisa que se encaixe de forma que naturalmente vá fazendo parte de nosso processo diário.
Temos a tendência passiva a absorver os conceitos dos outros que admiramos, e a partir daí a achar que somente naquelas condições específicas semelhantes as pessoas que você admira é que você se sentirá realizado. Isso é um erro de abordagem.
Normalmente o que se impõe para nós é a realidade do mundo que nos cerca, e dessa forma acabamos por nos inserir dentro das condições que estão a nossa volta. è claro que devemos evoluir e buscar até uma mudança de contexto para estarmos inseridos dentro do contexto que admiramos. Agora, muitas vezes até fazemos isso e acabamos descobrindo que não é exatamente aquilo que queríamos, pois fomos de fato criados e condicionados em outra realidade. quando as duas começam a brigar, ou seja, a realidade sonhada e o mundo no qual se vive, muitas vezes é possível chegar a um meio termo, a um caminho onde possamos exercer os nossos gostos dentro do contexto em que vivemos.
Dessa forma , por exemplo, se você é um guitarrista que trabalha em uma empresa (poderia ser numa orquestra, escola, enfim, estar ou não trabalhando diretamente na área não nem parece tão relevante) numa outra atividade, e você gosta de metal. E aí você descobre que tem um colega seu que gosta de blues. A primeira ideia é pensar que é impossível levar um som juntos. Mas porque não experimentar? Grandes bandas foram formadas não por pessoas com gostos idênticos, mas sim a partir da união de estilos, gostos e características diversas.muitas pessoas não gostam desse tipo de convivência e acabam optando por um isolamento, achando-se um peixe fora da água em relação ao mundo em que vivem. A internet até fornece meios para você simular esse tipo de comportamento, mas de fato você estará perdendo uma das coisas mais importantes da música, que é o seu lado social, que te leva a conhecer e interagir com pessoas.
Outra coisa que sempre podemos repensar é em nossa capacidade de aprender tudo sozinhos, sem a ajuda de um professor. Em música, ao contrário de outras áreas, isso é uma coisa que de fato poucos conseguem levar adiante, e que gera muita frustração. achamos que uma vez que pegamos o básico, com um amigo ou mesmo com algumas aulas, que já podemos seguir sozinhos, afinal o youtube está aí, ensinado tudo. e as mais das vezes depois de um tempo desanimamos. Colocamos a culpa na vida, na falta de tempo , estímulo (que justamente é uma das coisas que o estudo assistido mais gera), na família, etc. E não nos damos conta de que o que precisamos e de alguém experimentado que possa nos ensinar não só a como estudar, mas também a como inserir o estudo dentro das nossas atividades cotidianas, que muitas vezes são muitas. mas fato é também que perdemos muito tempo, seja vendo anúncios de televisão, vendo besteira no Facebook, etc. Como temos a nossa rotina, quebra-la não é tão simples, e um profissional ou uma instituição ajuda muita, criando e inserindo novas rotinas dentro do seu modelo de necessidade.
A música está aí como uma atividade criativa. A palavra já diz por si. Atividade e criação...duas coisas que utilizando a melodia, harmonia, ritmo e timbre, favorecem a inteligência emocional, a motricidade, previnem várias doenças, sociabiliza, e aumenta o nosso nível de felicidade cotidiana.
Como dizia um antigo filósofo "A recompensa do estudo "jazz" em si mesmo"
Vamos pensar nisso...

quinta-feira, 27 de agosto de 2015